Na mídia

Visita de engenheiros alemães para avaliação técnica

Em pauta, a capacidade técnica para a fabricação de partes de uma das estruturas de sustentação das câmeras dos telescópios médios

Imagine um telescópio que pesa quatro toneladas e tem cerca de dez metros de altura. O objetivo dessa ferramenta é poder ver o espaço com mais detalhes. Para isso, pesquisadores do mundo inteiro, inclusive de São José dos Campos, estão trabalhando em um projeto que vai montar o maior observatório do mundo dedicado ao estudo de corpos celestes.

Uma estrutura gigantesca que vem sendo testada na Europa para monitorar a radiação de alta energia no espaço. O protótipo de um telescópio foi criado a partir do projeto desenvolvido por uma empresa de engenharia aeroespacial localizada em São José dos Campos. Foram dez anos de trabalho e aprimoramento.

“É um telescópio que possui, na base, dez metros de diâmetro na base e uma altura, entre o disco e a câmera, de 16 metros. Então, é uma estrutura bem grande: pesa cerca de quatro toneladas para segurar uma câmera que pesa duas toneladas e meia”, detalha Célio Costa Vaz, CEO da Orbital Engenharia

O desafio agora é fabricar o equipamento em série. Pesquisadores da Alemanha que gerenciam os trabalhos vieram ao Brasil para visitar empresas da região que possam atender à demanda de fabricação. Eles fazem parte de um instituto internacional de pesquisa científica.

O pesquisador Makus Garczarckzyk, engenheiro da Desy (Deutsches Elektronen-Synchrotron) disse ter ficado muito impressionado com as empresas que visitou na região, afirmando ainda que, pelo que viu, tem certeza de que as empresas locais podem oferecer a estrutura necessária.

Os telescópios que serão fabricados no Brasil devem compor o maior observatório do mundo de estudos de corpos celestes que emitem radiação gama. Ele será instalado em dois lugares: nas Ilhas Canárias, na Espanha, e no Deserto do Atacama, no Chile. A previsão é que tudo fique pronto até 2028, com a colaboração de outros 24 países.

Será um conjunto de 64 telescópios de diferentes tamanhos, com dez vezes mais sensibilidade do que qualquer instrumento de raios gama atual. Promete revolucionar os estudos de astrofísica e astropartículas, permitindo uma observação mais precisa de fenômenos no céu.

“Esse observatório vai operar por 30 anos e será o melhor em uma área da astronomia que é bastante nova, que pretende estudar os extremos do universo. É um observatório que fará descobertas”, conta Luiz Vitor de Souza Filho, astrofísico e pesquisador do IFSC da USP, de São Carlos.

O consórcio responsável pela construção do observatório, chamado CTA, conta com a participação de 1.500 cientistas e engenheiros de mais de 150 institutos no mundo. No Brasil, a parceria entre universidades e a indústria tem sido fundamental para o avanço do projeto.

“O CTA é um observatório que vai custar mais de 1 bilhão de reais. O financiamento brasileiro para o projeto em andamento é dado pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), que vem financiando o desenvolvimento, a construção dessas estruturas, assim como a participação dos cientistas na parte científica”, completa Souza Filho.

Quem vive a experiência de fazer parte de algo tão importante para a ciência mundial espera ver os telescópios que ajudou a construir em ação:

“É difícil até encontrar palavras para descrever a satisfação e a honra que temos de poder contribuir não só com a ciência brasileira, mas também com um projeto de âmbito internacional”, celebra Vaz.

Publicado originalmente pela TV Vanguarda

Compartilhe este conteúdo